14 de Outubro
Queer Porto 12: o programa completo

O Queer Porto – Festival Internacional de Cinema Queer está de regresso ao Batalha Centro de Cinema, Casa Comum da Reitoria da Universidade do Porto, Passos Manuel, e chega este ano também ao Cinema Trindade, para a sua 12.ª edição, entre os dias 3 e 7 de novembro. Com um total de 37 filmes, o festival dá hoje a conhecer a sua programação completa, que se apresenta como um reflexo da excelente colheita de cinema queer deste ano, uma substancial parte dela oriunda da última edição de Cannes. Cinema esse que evidenciou estar em extraordinária forma em setembro último durante a edição do 30.º aniversário do festival em Lisboa, que registou um recorde de 11.666 espectadores, o maior número da história do Queer Lisboa, o que significou um crescimento de 55% face à edição de 2025.

 

A nova edição da versão portuense do festival, com uma programação independente da de Lisboa, traz agora à Invicta uma série de títulos que estão a fazer êxito no circuito internacional, o habitual programa competitivo de curtas-metragens nacionais e váries convidades e eventos paralelos. Para além das oito ficções e documentários que compõem a Competição Oficial e das dez curtas-metragens portuguesas da Competição de Curtas-metragens Portuguesas, estão de regresso a Resistência Queer, o Panorama, o Queer Focus, duas longas-metragens chegadas do festival de Cannes que serão apresentadas como Filmes de Abertura e Encerramento, e ainda, duas Sessões Especiais: uma em homenagem ao recentemente falecido realizador alemão Rosa Von Praunheim, e outra com a antestreia da muito aguardada produção espanhola La Bola Negra.

 

Entre ficções e documentários, a Competição Oficial do Queer Porto conta com oito títulos. Em What Will I Become?, Lexie Bean e Logan Rozos exploram a vulnerabilidade da sua comunidade trans masculina, aprofundando as suas próprias experiências pessoais e entrelaçando as histórias de dois jovens rapazes trans que cometeram suicídio. Dos Estados Unidos chegam-nos duas outras longas-metragens de marcado carácter indie: Mouse, de Alex Thompson e Kelly O’Sullivan, um tragicómico olhar à adolescência, à amizade e aos vínculos familiares que nos mantêm firmes, apresentado na última Berlinale, e Something You Should Know About Me, de Andy Fidoten, uma doce e divertida rom-com a cargo de uma equipa maioritariamente trans (com produção executiva de Lilly Wachowski) que mistura ação real e animação para contar a história do inseguro cartunista Al e dos seus maleáveis sentimentos pelo seu melhor amigo. Da Irlanda chega-nos Lesbian Lines, de Cara Holmes, documentário sobre a rede de linhas de apoio telefónicas clandestinas criada por uma pequena comunidade lésbica numa silenciada Irlanda de 1979; e do Brasil, em estreia internacional, Pequenas Tragédias, o novo filme de Daniel Nolasco em forma de atrevido híbrido em que o realizador coloca em causa as idiossincrasias da sua pequena cidade-natal do interior de Goiás, Catalão. Completam a competição oficial o romance inesperado entre dois camionistas Du fioul dans les artères, do realizador francês Pierre Le Gall, que ganhou o prémio especial Queer Palm Révélation em Cannes; o documentário Mickey & Richard, de Ryan A. White e A.P. Pickle, um retrato do modelo Mickey Squires, figura icónica da pornografia queer, aqui na sua procura de aceitação pessoal e de ligações humanas significativas; e ainda Bouchra, das artistas-realizadoras Orian Barki e Meriem Bennani, uma das animações mais surpreendentes do ano e que conta a história de uma cineasta marroquina em Nova Iorque, e da sua relação à distância, afetuosa embora complexa, com a sua mãe, que vive em Casablanca. O júri da Competição Oficial é composto pela escritora e jurista Joana Ferraz, pela programadora e produtora Joana Gusmão e pelo curador e professor Juan Luis Toboso. O prémio a atribuir consiste na aquisição dos direitos de exibição por parte da RTP, no valor de 3.000€.

 

A 5.ª edição da Competição de Curtas-metragens Portuguesas apresenta mais uma vez uma eclética seleção do que de queer foi realizado no formato da curta-metragem no cinema nacional em 2026. Em competição apresentam-se dez filmes produzidos em Portugal ou por cineastas portugueses a trabalhar em contexto internacional. Em estreia nacional apresentam-se No Azul Penumbra, de Tomás Basílio, This Feminine Side, de Alice Siniscalchi, e A Vaqueira, a Dançarina e o Porco, de Stella Carneiro e Ary Zara, que teve estreia no programa paralelo La Factory da Quinzena dos Realizadores de Cannes em 2025. Completam a competição Abril de Helena, de Maria Moreira e Victor Hugooli (duplamente premiado na última edição do IndieLisboa), Éramos Só Putos, a estreia atrás da câmara do ator João Nunes Monteiro, e ainda O Meu Amor do Rancho, de Miguel De, Monstro, de Nuno Baltazar, Semeei Vermelho, de Sofia Afonso, Três de Copas, de Mário Macedo e Enotea, e Unruhe, de Carlos Pereira. O prémio a atribuir tem um valor de 500€.

 

Apresentada na competição de Cannes em maio passado, a Noite de Abertura do Queer Porto é feita com a antestreia nacional de Garance. Protagonizada por uma extraordinária Adèle Exarchopoulos, a quarta longa-metragem de Jeanne Herry é o retrato de uma jovem e talentosa atriz com uma adição ao álcool que, silenciosamente, começa a dominar a sua vida, ainda que atenuada por uma terna história de amor. Na Noite de Encerramento será exibida a longa-metragem Seis Meses en el Edificio Rosa com Azul, chegada da Semana da Crítica de Cannes e que marca o regresso ao festival do mexicano Bruno Santamaría Razo; uma história ambientada na Cidade do México no início dos anos 90, e na qual os sentimentos que Bruno, de 11 anos, começa a nutrir pelo seu melhor amigo entram em colisão com o anúncio repentino de que o seu pai contraiu VIH.

 

Nas Sessões Especiais é apresentada uma homenagem ao iconoclasta realizador alemão Rosa von Praunheim, falecido em dezembro do ano passado, com a exibição do que é, talvez, o trabalho mais emblemático da sua prolífica carreira, It Is Not the Homosexual Who Is Perverse, but the Society in which He Lives, de 1971, filme-ensaio que castiga as aspirações burguesas da comunidade gay ao mesmo tempo que a chama à ação política. E em parceria com o Cinema Trindade, o festival apresenta a antestreia do muito aguardado La Bola Negra, de Javier Calvo e Javier Ambrossi, um dos filmes sensação do festival de Cannes deste ano, onde conquistou o prémio de Melhor Realização, inspirado numa obra inacabada do autor espanhol Federico García Lorca e que acompanha a vida de três homens em três épocas diferentes, 1932, 1937 e 2017.

 

No Panorama destaque para Acting Like Women, de Cheri Gaulke, documentário que faz a crónica e apreciação crítica da performance art emergente em Los Angeles na década de 70 em torno de um espaço de criação e consciencialização política, o Woman's Building. A realizadora e Anne Gauldin, coargumentista do filme, ambas destacadas intervenientes do período documentado, estarão presentes no Porto para uma conversa moderada por Carla Cruz. Fazem também parte desta secção fora de competição: The Education of Jane Cumming, de Sophie Heldman, um sumptuoso filme de época baseado nos factos que inspiraram a peça “The Children's Hour”, de Lillian Faderman, e que conta no elenco com Fiona Shaw; o documentário It’s Dorothy!, de Jeffrey McHale, que celebra como ícone cultural a protagonista de O Feiticeiro de Oz, explorando o significado e a evolução da personagem ao longo de diferentes épocas; e Mineshaft: the Cruising Murders, no qual o celebrado documentarista Jeffrey Schwarz (Vito, I am Divine) explora a forma como Hollywood ofuscou a verdadeira tragédia por detrás de Cruising, o filme de William Friedkin protagonizado por Al Pacino, ao mesmo tempo que documenta os protestos que tentaram boicotar o filme pela forma como retratava a comunidad masculina homossexual. Chegada diretamente da última edição do festival de Cannes e de uma sessão de casa lotada no Queer Lisboa 30, apresenta-se a animação Jim Queen, dos franceses Marco Nguyen e Nicholas Athané, uma divertida homenagem à comunidade queer e à subcultura bear, que tem como protagonista um ícone sexual e influencer da cena gay parisiense que vê a sua vida dar uma reviravolta quando contrai um estranho vírus que transforma os homens gays em heterossexuais.

 

A Resistência Queer, que cruza as edições do Queer Lisboa e do Queer Porto, sobre um cinema de resistência em territórios politicamente e socialmente conturbados, e que este ano propõe um olhar sobre os atos de resistência em contexto mais pessoal e comunitário, está de regresso ao festival com quatro filmes. A Culinary Uprising: the Story of Bloodroot, de Annie Laurie Medonis, analisa a história do Bloodroot, um restaurante e livraria feminista, lésbico e vegano, no Connecticut, e o seu impacto na comunidade local. Em A Song Without Home, Rati Tsiteladze acompanha Adelina enquanto foge da sua aldeia na Geórgia, rumo a Viena, à procura da liberdade de ser ela mesma e de viver sem medo como mulher e artista trans. Gays Against Guns, de Paul Rowley, acompanha a trajetória da associação do mesmo nome pela prevenção da violência armada, desde o massacre da discoteca Pulse, em Orlando, EUA, até aos dias de hoje, desde manifestações marcantes do movimento Human Beings, até ao confronto direto com o lobby das armas e os “fantoches” da NRA nos corredores do poder. O projeto alemão Fucking Different de compilações de filmes, lançado há vinte anos, ganha um novo capítulo com Fucking Different Generations, coleção de sete curtas-metragens de abordagem humorística, poética e reflexiva, sobre as possibilidades de aproximação sexual e erótica entre gerações na comunidade queer, explorando as semelhanças e diferenças de pontos de vista dos boomers sobre os millennials e dos millennials sobre os boomers.

 

O Queer Focus, com o título “Figuras da Literatura Queer”, e sessões agendadas para a Casa Comum, dará a conhecer quatro recentes documentários sobre escritores e poetas. Em Cinq regards, o marroquino Karim Debbagh desenterra o legado do famoso escritor norte-americano Paul Bowles sob um olhar marroquino, longe dos habituais clichés orientalistas. Mary Oliver: Saved by the Beauty of the World, com realização de Sasha Waters, é um intimista retrato da aclamada poeta lésbica e vencedora do Prémio Pulitzer, com uma vida e obra dedicada à celebração da natureza, os animais, e a vida em si mesma, enquanto Un Hombre Libre, de Laura Hojman, explora a vida e obra de Agustín Gómez Arcos, escritor espanhol exilado que alcançou grande sucesso em França na década de 70, agora redescoberto pelas novas gerações e aqui lembrado por amizades como as de Pedro Almodóvar ou Marisa Paredes. Por último, Life Story é um retrato da escritora e académica australiana McKenzie Wark assinado pela realizadora nova-iorquina Jessica Dunn Rovinelli e cuja exibição será seguida de uma conversa com o título “«Certo, mas vamos lê-la», ou: Como escrever as vidas queer”, organizada pela livraria aberta e que contará com a participação de miguel bonneville, Odete e António Manso Preto, e moderação de Ricardo Braun.

 

E ainda, uma Noite no Passos onde uma sessão conjunta apresenta a curta-metragem de 1994 21st Century Nuns – protagonizada pela ordem de freiras masculinas gay Sisters of Perpetual Indulgence, e com aparição especial de Derek Jarman –, e Hunky Jesus, o novo documentário da realizadora Jennifer M. Kroot sobre a tradição anual do Domingo de Páscoa, extremamente popular em São Francisco, em que o lendário grupo de drag queens e ativistas Sisters of Perpetual Indulgence elegem um novo Jesus Cristo a cada ano. Quatro das Sisters, protagonistas do filme, estarão no Porto para apresentar o filme e para dinamizar uma noite de Queer Bingo na Hunky Jesus Party na quinta-feira, dia 5, no Bar of Soap. A programação notívaga do festival completa-se com uma festa de abertura no Bar of Soap, no dia 3 de novembro, e com uma festa de encerramento no Pérola Negra, no dia 7 de novembro.

 

Os bilhetes para as sessões no Batalha estarão à venda a partir do dia 20 de outubro, na BOL e bilheteira física. Os ingressos para as sessões do Passos Manuel são postos à venda no próprio dia da sessão, uma hora antes de começar. As sessões da Casa Comum são de entrada gratuita, mediante lotação da sala. Os bilhetes para La Bola Negra já estão à venda no website do Cinema Trindade.

O Queer Porto 12 conta, entre outros, com os apoios do ICA – Instituto do Cinema e do Audiovisual, Câmara Municipal do Porto / Ágora, além de importantes parcerias como as estabelecidas com a FLAD, Embaixada da Espanha, Embaixada da Irlanda, Absolut, ASUS e TVCine, entre outras entidades, públicas e privadas.

 

Programa completo do Queer Porto 12:

 

NOITE DE ABERTURA         

Garance, Jeanne Herry (França, 2026, 120’)

 

NOITE DE ENCERRAMENTO

Seis Meses en el Edificio Rosa con Azul, Bruno Santamaría Razo (México, Brasil, Dinamarca, 2026, 104’)

 

SESSÕES ESPECIAIS

La Bola Negra, Javier Calvo, Javier Ambrossi (Espanha, França, 2026, 155’)

It Is Not the Homosexual Who Is Perverse, but the Society in which He Lives, Rosa von Praunheim (Alemanha, 1971, 64’)

 

COMPETIÇÃO OFICIAL

Bouchra, Orian Barki, Meriem Bennani (Itália, Marrocos, EUA, 2025, 83’)

Du fioul dans les artères, Pierre Le Gall (França, Polónia, 2026, 91’)

Lesbian Lines, Cara Holmes (Irlanda, 2026, 77’)

Mickey & Richard, Ryan A. White, A.P. Pickle (EUA, 2026, 70’)

Mouse, Alex Thompson, Kelly O’Sullivan (EUA, 2026, 120’)

Pequenas Tragédias, Daniel Nolasco (Brasil, 2026, 118’)

Something You Should Know About Me, Andy Fidoten (EUA, 2026, 85’)

What Will I Become?, Lexie Bean, Logan Rozos (EUA, 2026, 87’)

 

COMPETIÇÃO DE CURTAS-METRAGENS PORTUGUESAS

Abril de Helena, Maria Moreira, Victor Hugooli (Portugal, 2026, 20’)

Éramos Só Putos, João Nunes Monteiro (Portugal, 2026, 19’)

O Meu Amor do Rancho, Miguel De (Portugal, 2026, 18’)

Monstro, Nuno Baltazar (Portugal, Egito, 2026, 22’)

No Azul Penumbra, Tomás Basílio (Portugal, 2025, 15’)

Semeei Vermelho, Sofia Afonso (Portugal, 2026, 15’)

This Feminine Side, Alice Siniscalchi (Portugal, Finlândia, Bélgica, 2025, 7’)

Três de Copas, Mário Macedo, Enotea (Dinamarca, Portugal, 2025, 15’)

Unruhe, Carlos Pereira (Alemanha, 2026, 12’)

A Vaqueira, a Dançarina e o Porco, Stella Carneiro, Ary Zara (Brasil, França, 2025, 10’)


PANORAMA

Acting Like Women, Cheri Gaulke (EUA, 2026, 90’) + conversa com Cheri Gaulke e Anne Gauldin, moderada por Carla Cruz

The Education of Jane Cumming, Sophie Heldman (Alemanha, Suíça, Reino Unido, 2026, 114’)

It’s Dorothy!, Jeffrey McHale (EUA, 2025, 97’)

Jim Queen, Marco Nguyen, Nicolas Athané (França, 2026, 85’)

Mineshaft: the Cruising Murders, Jeffrey Schwarz (EUA, 2026, 84’)

 

RESISTÊNCIA QUEER

A Culinary Uprising: the Story of Bloodroot, Annie Laurie Medonis (EUA, 2025, 82’)

A Song without Home, Rati Tsiteladze (Georgia, EUA, 2026, 75’)

Fucking Different Generations, Monika Treut, Todd Verow, Sofia Alvarado, Jo Pollux & Theo Parker, Emre Busse, Jiz Lee & Shine Louise Houston, Kristian Petersen (Alemanha, 2026, 87’)

Gays Against Guns, Paul Rowley (Irlanda, 2026, 86’)

 

QUEER FOCUS / Figuras da Literatura Queer

Cinq regards, Karim Debbagh (Marrocos, França, 2025, 71’)

Life Story, Jessica Dunn Rovinelli (EUA, 2024, 10’) + conversa com miguel bonneville, Odete e António Manso Preto, moderada por Ricardo Braun

Mary Oliver: Saved by the Beauty of the World, Sasha Waters (EUA, 2026, 91’)

Un Hombre Libre, Laura Hojman (Espanha, 2024, 88’)

 

NOITES NO PASSOS

21st Century Nuns, Tom Stephan (Reino Unido, 1994, 10’)

Hunky Jesus, Jennifer M. Kroot (EUA, 2026, 85’)

 

FESTAS

Festa de Abertura @ Bar of Soap

Hunky Jesus Party @ Bar of Soap

Festa de Encerramento @ Pérola Negra

 

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