21 de Agosto
“Contaste que eras trans?”

Com curadoria de Ana David, programadora do Queer Lisboa, e  Caio Amado Soares, realizador e artista visual cujo trabalho se centra em experiências trans e queer, o Queer Focus deste ano é dedicado a um “cinema trans” que se tem vindo a afirmar nos últimos anos pela crescente multiplicidade de histórias que propõe e, em alguma medida, pela moderada visibilidade de quem as realiza. Se é verdade que as personagens trans no cinema abundam neste momento mais do que alguma outra vez no passado, é igualmente verdade que os filmes que mais circulam e chegam ao grande público não são escritos nem realizados por artistas trans. O festival propõe assim uma reflexão sobre um conjunto de problemáticas que o eclodir e a afirmação deste cinema tem vindo a enfrentar. Partindo da premissa simples de considerar apenas filmes realizados por pessoas trans, o foco temático apresenta duas longas-metragens e um programa de curtas, abrindo lugar a múltiplas expressões e procurando construir um lugar de afirmação.

 

Obra incontornável do cinema queer e trans, estreada em 2001 no Frameline, o festival de cinema queer de São Francisco, By Hook or by Crook, de Harry Dodge e Silas Howard – também protagonistas desta ficção –, é o intemporal buddie movie, de espírito indie e filmado em vídeo. Este clássico, apresentado em versão digital recentemente restaurada, conta a história de Shy que, despejado depois da morte do pai, vai para a grande cidade para mergulhar numa “vida de crime”, e aí conhece Valentine, um rapaz adotado, que procura a sua mãe biológica. O filme é um retrato de uma amizade improvável, com base na entreajuda, na cumplicidade e nos sonhos partilhados. De regresso ao festival, está também o cinema da sueca Ester Bergsmark, com Something Must Break, a sua primeira longa, vencedora do Tiger Award do festival de Roterdão, e da 18ª edição do Queer Lisboa, em 2014, com os prémios de Melhor Longa-Metragem e Melhor Actriz. No seu centro está a jovem adulta Sebastian/Ellie, cuja identidade como mulher cresce em si, enquanto vive um amor intenso com Andreas, um rapaz hetero. Um filme que é um retrato íntimo e empático sobre a procura de identidade e de afirmação.

 

Por fim, a seleção de curtas, predominantemente documentais e produzidas entre 2022 e 2025, passa pelo relato autobiográfico dos seus artistas, como em Dreams of Sunlight through Trees, de Theo Jean Cuthand, La Llum que Cobreix les Ferides, de Pol Merchan, ou em The Growing Edge, de Ian Kaler (exibida em complemento a Something Must Break); pela experiência da identidade negra, jovem e queer nos EUA em contexto de comunidade em a_blurred_fluxx_00.avi, de Osadolor Osawemwenze; ou por propostas que oferecem ângulos temáticos mais abrangentes a partir de histórias pessoais, como em Life Story, de Jessica Dunn Rovinelli, um retrato da académica McKenzie Wark, ou When We Dead Awaken, da portuguesa Paula Tomás Marques, que este ano lançou a sua primeira longa-metragem, Duas Vezes João Liberada.

 

A seguir à exibição do programa de curtas, no dia 25 de setembro, às 18:00, na sala 2 do Cinema São Jorge, tem lugar uma conversa com a presença de Ian Kaler, Paula Tomás Marques, Pol Merchan e Theo Jean Cuthand, moderada por Ana David e Caio Amado Soares.

 

Novos títulos anunciados:

 

QUEER FOCUS: “Contaste que Eras Trans?”

 

a_blurred_fluxx_00.avi, Osadolor Osawemwenze (EUA, 2024, 26’)
By Hook or by Crook, Harry Dodge, Silas Howard (EUA, 2002, 90’)

Dreams of Sunlight through Trees, Theo Jean Cuthand (Canadá, Áustria, 2024, 16’) 

The Growing Edge, Ian Kaler (Áustria, Alemanha, 2025, 17’) 

Life Story, Jessica Dunn Rovinelli (EUA, 2024, 10’)

La Llum que Cobreix les Ferides, Pol Merchan (Espanha, Alemanha, 2024, 12’) 

Something Must Break, Ester Bergsmark (Suécia, 2014, 81’)
When We Dead Awaken, Paula Tomás Marques (Portugal, Espanha, 2022, 10’)

 

 

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